Secretaria da Educação institui jornada de trabalho de dois terços em sala de aula para professores
Resolução publicada hoje assegura
para docentes o mínimo de um terço da carga horária total para
atividades pedagógicas extraclasse
Os professores da rede estadual de
ensino de São Paulo começarão o ano letivo, em 1º de fevereiro, com uma
jornada em sala de aula fixada em dois terços de sua carga horária total
— o máximo permitido pela Lei Nacional do Piso Salarial do Magistério
Público. O Estado já tem o salário-base inicial de docentes 59,5% acima
do atual valor mínimo estabelecido por essa mesma legislação.
As horas correspondentes a um terço da
jornada total deverão ser cumpridas pelos professores em atividades
pedagógicas extraclasse na escola, como reuniões de trabalho e
atendimento a pais de alunos, ou em local de livre escolha, como
preparação de aulas e correções de provas e tarefas. A resolução que
regulamenta a nova composição da carga horária foi publicada na edição
de hoje do “Diário Oficial do Estado”.
“Ao elaborar a nova distribuição do
horário de trabalho de nossos professores, tivemos como foco não só
adequar a jornada do magistério à lei federal, mas, acima de tudo,
também proporcionar aos educadores da rede estadual de São Paulo mais
tempo para o desempenho de atividades voltadas à melhoria do aprendizado
dos alunos”, declarou o secretário da Educação, Herman Voorwald. “Desse
modo, mantivemos nossa prioridade para as duas diretrizes principais do
programa Educação – Compromisso de São Paulo, que são tornar o ensino
paulista um dos melhores do mundo e de valorizar a carreira docente,
fazendo com que ela seja uma das mais prestigiadas por nossos jovens.”
Contestada por outras Unidades da
Federação no Supremo Tribunal Federal, a lei federal nº 11.738 de 2008
foi considerada constitucional somente no ano passado. Desse modo, foi
necessário concluir o ano de 2011 para adequar a composição da jornada
de trabalho do magistério, pois essa modificação exigiria uma inviável
reorganização da atribuição de aulas no decorrer do mesmo período
letivo.
Tomando como exemplo a jornada diurna
total de 40 horas semanais — que preencheriam 48 aulas de 50 minutos, se
não houvesse jornada extraclasse —, a norma agora instituída faz os
dois terços (66,6%) da jornada em classe corresponderem a 32 aulas, ou
seja, 26 horas e 40 minutos. E as atividades extraclasse passam a somar
13 horas e 20 minutos, o equivalente a 16 aulas, ou seja, um terço do
total (33,3%).
Na distribuição do total de horas de
trabalho semanais vigente até 2011, as atividades em classe compreendiam
33 aulas de 50 minutos, que somavam 27 horas e 30 minutos. A jornada
extraclasse era de 12 horas e 30 minutos, o equivalente a 15 aulas.
Também para a carga horária total diurna
de 40 horas, a composição da jornada extraclasse passa a ser de 13
aulas (10 horas e 50 minutos) de trabalho pedagógico em local de livre
escolha pelo docente e de 3 aulas (2 horas e 30 minutos) na escola.
A regulamentação publicada hoje revoga a
Resolução SE nº 18, de 24 de fevereiro de 2006, que definia como
complementação de carga horária os 10 minutos a mais de trabalho para
cada aula ministrada no período diurno e que não eram previamente
definidos como horário de trabalho pedagógico na escola nem como
atividades em local de livre escolha. No caso de uma jornada diurna
total de 40 horas semanais, sobravam 5 horas e 30 minutos indefinidas.
No período noturno, cujas aulas são de 45 minutos, eram 15 os minutos de
complementação. O quadro a seguir ilustra a comparação entre a jornada
anterior e a estabelecida a partir de hoje, no caso do total de 40 horas
semanais de trabalho no período diurno.
Como não existem intervalos entre as
aulas ministradas pelos docentes, os 10 minutos complementares para cada
aula de 50 minutos no diurno, que é paga como hora completa de 60
minutos — assim como os 15 minutos para cada aula de 45 minutos no
noturno —, não compõem tempo de trabalho cumprido em classe.
Na rede estadual de ensino existem
quatro jornadas de trabalho docente com cargas horárias distintas, que,
com a nova regulamentação, passam a ter as composições apresentadas no
quadro abaixo.
A implementação da medida custará
anualmente cerca de R$ 330 milhões à Pasta e pode requerer a
contratação, já prevista na programação da Secretaria da Educação, de
mais 10.000 professores para este ano letivo.
Acima do piso
Os docentes da rede estadual de ensino
paulista recebem atualmente um salário-base 59,5% superior ao piso
nacional atual. Um professor de educação básica que leciona no ciclo II
do Ensino Fundamental e no Ensino Médio, com jornada de 40 horas
semanais, tem hoje um salário-base de R$ 1.894,12, ou seja, 59,5% maior
do que os R$ 1.187,97 definidos atualmente na Lei do Piso para todas as
Unidades da Federação.
A valorização dos educadores está entre
as principais prioridades do Governo de São Paulo. Em uma das
iniciativas mais importantes dos últimos anos em prol do magistério
paulista, o governador Geraldo Alckmin sancionou em julho de 2011 a lei
complementar que concede aumento salarial escalonado de 42,25% até julho
de 2014 para 374 mil profissionais ativos e aposentados. O salário-base
de um professor com jornada de 40 horas semanais, por exemplo, passou
de R$ 1.665,05 para R$ 1.894,12, o que corresponde a 13,76% de
acréscimo. O aumento foi retroativo a 1º de junho do ano passado.
Contando com os adicionais por tempo de
serviço, o professor ingressante na rede estadual poderá, em pouco mais
de 20 anos, alcançar um vencimento equivalente, hoje, a R$ 9.385,70,
conforme a Estrutura de Cargos e Salários já definida por lei para o
Plano de Carreira que a Secretaria da Educação está elaborando com a
colaboração de representantes de associações e sindicatos e de outras
entidades. Esse plano estimulará os docentes com oito níveis de promoção
salarial por meio da formação continuada e também com outros oito de
valorização por mérito, que será baseada não só em provas, mas em
critérios de desempenho que estejam associados à melhoria do aprendizado
dos alunos.
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