domingo, 8 de março de 2015

UMA AVENTURA DENTRO DA NOITE



Toda manhã, um berro agudo e irritante acordava Pedro, Celso e Tilico. Essa voz esganiçada que os perseguia deixava-os bastante irritados. Mas, uma noite, os meninos tiveram uma ideia:
- E se a gente raptasse o Berrão? – propôs Tilico, usando o apelido que a m~e achava uma absoluta falta de respeito.  “Não se tem mais respeito pelas pessoas idosas, pelas coisas antigas…”
Os três riram baixinho, achando muito divertido.
- Pra esconder onde? – Pedro perguntou, brincando com a ideia. Se fizerem isso, será que alguém ia desconfiar deles? Podia ter até bilhete de resgate… Não, era má ideia. Bilhete de resgate era pista. Muito perigoso.
- Melhor pensarem que ele simplesmente desapareceu, se foi… Do tipo que aparece nos jornais: “Pessoa desaparecida. Quem souber notícias…” – Celso deu a dica. […]
Os três riram de doer a barriga, isso tudo era mesmo muito engraçado, a ideia de se livrar pra sempre do Berrão…
- A gente podia raptar ele sem bilhete, que dizer: pra valer. E esconder no meio do mato, lá bem dentro do terreno vazio, atrás do muro da esquina – insistiu Tilico falando sério e os irmãos pararam de rir.
[…]
Naquela noite, finalmente, os três se decidiram.
- Vamos raptar o Berrão. O plano é…
Com um monte de travesseiros embolados debaixo das cobertas, fingindo de gente, os três acharam que ninguém ia perceber se abrissem a porta. Só com a luz da lanterna de pilha, Celso levantou o vidro da janela e ficou segurando, enquanto Tilico pulava.
Então, Pedro, o mais forte dos três, levantou o volume embrulhado num cobertor, e passou pelo parapeito…
- Depressa, gente!
… Todos pularam e Celso fechou a janela, deixando só encostada. Pra quando eles voltassem.
[…]
Por uma brecha na parede, eles entraram no terreno vazio e foram afundando pelo mato.
- Estão vendo alguma coisa suspeita por aí? – perguntou Celso, ansioso.
- Nada – respondeu Pedro. – Tudo calmo.
[…]
- Está muito quieto. O que você fez com ele, hein, Pedro?
- Nada, juro! Eu só cheguei por trás e joguei a manta por cima. Depois, agarrei ele firme e corri pra janela. Eu apertei bem, pra se de repente ele começasse a gritar e estrebuchar… eu enrolei bem ele.
- Ele está muito quieto mesmo […] – Será que nós sufocamos ele?
- Acho que não. Ele deve estar só descansando – falou Tilico. Bem no meio do terreno, os garotos pararam e deitaram o embrulho do cobertor no chão, entre os três.
- O que a gente faz agora? – perguntou Celso.
Celso, Pedro e Tilico se aproximaram ainda mais e se juntaram numa rodinha apertada, pra combinar o que iam fazer, que nem jogador antes de começar o jogo.
[…]
Celso, Pedro e Tilico levantaram o cobertor devagarinho e olharam para o raptado, ali mo meio deles, imóvel e mudíssimo.
Pedro ajoelhou-se e encostou o ouvido:
- Gente, eu acho que nós despachamos ele!
- E agora? – perguntou Celso, assustado. – Ele está…
- Acho que ele está acabdo – respondeu Pedro, baixinho.
O silêncio ficou mais fundo, quando os meninos mediram as consequências da travessura. Tinha sido um acidente, eles não tinham a intenção… era só por uns tempos, eles não pretendiam maltratar o Berrão.
[…]
- O que a gente faz quando dá cabo de lguém? – Tilico perguntou.
- A gente enterra, ora.
celso saiu correndo, na direção do quintal da casa. Voltou com um caixote de madeira, martelo e pregos e entregou pros irm~çaos.
Pedro abriu a tampa do caixote e falou:
- Bota ele aqui dentro, Tilico.
Sentado no cobertor aberto, ainda examinando a vítima, Tilico respondeu:
- Não cabe, Pedro. Esse caixote é muito pequeno! Como é que a gente faz? Olha, só a cabeça dele tem um palmo. Fora os pés que são compridos e não entram, olha aí!
Pedro olhos pras perninhas finas e abertas do Berrão e falou:
- Vamos dividir ele em pedaços qie cabe.
Os meninos não tiveram tempo pra pensar. Na falta de um serrote, o canivete suíço mesmo serviu, mas demorou um tempão, claro. A lâmina era pequena demais.
Celso recolheu os restos do ex-Berrão e acomodou no caixote.
Tilico desceu a tampa depressa, evitando olhar os pedaçõs empilhados.
- Agora enfia os pregos, enquanto Celso bate com o martelo – Pedro ia instruindo. – Isso! Agora, o buraco.
Cada um cavou um pouco, com uma tampa de lixo que alguém tinha abandonado por ali.
- Já está bom – falou Tilico, esbaforido.
Celso, vermelho e suado, perguntou:
- Nós demos cabo dele mesmo?
- Você ainda tem dúvida? – estranhou Pedro.
- Se não estava antes, agora cada pedacinho esquartejado está mortinho da silva – atestou Tilico.
Desceram o caixote e tamparam o buraco, jogando toda a terra por cima dele de novo.
[…]
Na volta pra casa, eram apenas três sombras acompanhando os meninos pelo muro, e não mais quatro.
A manhã chegou friinha, e os três enrolados na quentura boa da cama, sem ningué pra atrapalhar.
O pai acabou de ler o jornal inteiro, e nada dos meninos descerem.
- O que está acontecendo hoje por aqui? – o pai perguntou pra mãe. – Está com jeito de feriado…
[…]
O pai dobrou o jornal com um risinho disfarçado na cara e avisou:
- Acho que os meninols perderam a hora hoje.
- Não é possível, não acredito! – reclamou a mãe afobada, subindo a escada e entrando no quarto ainda escuro.
Andou de cama em cama, sacudindo as cobertas, e chamando:
- Pedro, Celso, Tilico! Isso são horas? Vocês perderam a aula hoje!
Pedro boceja, Celso senta na cama piscando forte, Tilico cobre a cabeça e finge que está roncando.
A mãe abre a janela e encara os três malandros:
- Como foi que vocês perderam a hora, meninos? Por que não levantaram quando ele…
Silêncio.
A mãe olha em volta do quarto, por cima dos móveis. Fica confusa, não entende. Torna a olhar para os meninos.
[…]
Diante das três estátuas mudas, ali sentadas, a última pergunta já sai num berro:
- ONDE ESTÁ O DESPERTADOR?
Stella Carr. Fragmentos do livro Uma aventura dentro da noite, re-editado pela autora, sob autorização da Editora Abril Jovem, São Paulo, 1995.

Com que letra começa?

A princesa e a ervilha


princesa deitada em vinte colchõesERA UMA VEZ um príncipe que viajou pelo mundo inteiro à procura da princesa ideal para se casar. Tinha de ser linda e de sangue azul, uma verdadeira princesa!

Mas depois de muitos meses a viajar de país em país, o príncipe voltou para o seu reino, muito triste e abatido pois não tinha conseguido encontrar a princesa que se tornaria sua mulher.

Numa noite fria e escura de inverno, quando o príncipe já pensava ser impossível casar com uma princesa, houve uma terrível tempestade. No meio da tempestade, alguém bateu à porta do castelo. O velho rei intrigado foi abrir a porta. Qual não foi a sua surpresa ao ver uma bela menina completamente molhada da cabeça aos pés.

A menina disse: “poderei passar a noite aqui no seu castelo, senhor? Fui surpreendida pela tempestade enquanto viaja já de volta para o meu reino. Estou com fome e frio e não tenho onde ficar…”.

O rei desconfiado perguntou: Sois uma princesa? A princesa respondeu timidamente: “Sim, senhor”.

“Então entrai, pois seria imperdoável da minha parte deixar-vos lá fora numa noite como esta!” Respondeu o rei, não muito convencido de se tratar mesmo de uma princesa.

Enquanto a princesa se secava e mudava de roupa, o rei informou a rainha daquela visita inesperada. A rainha pôs-se a pensar e, com um sorriso matreiro, disse “vamos já descobrir se se trata de uma verdadeira princesa ou não…”.

A rainha subiu ao quarto de hóspedes onde ia ficar a princesa e, sem ninguém ver, tirou a roupa de cama e colocou por baixo do colchão uma ervilha. De seguida colocou por cima da cama mais vinte colchões e edredões e, finalmente, a roupa de cama.

Então, desceu a escadaria e dirigiu-se à princesa, apresentando-se, e dizendo amavelmente: Já pode subir e descansar. Amanhã falaremos com mais calma sobre a menina e o seu reino…

A princesa subiu e deitou-se naquela cama estranha que mais parecia uma montanha!

Na manhã seguinte, a princesa desceu para tomar o pequeno almoço. O rei e a rainha já estavam sentados à mesa. A princesa saudou os reis e sentou-se. Então a rainha perguntou: Como passou a noite, princesa?

A princesa respondeu: “Oh, a verdade é que não consegui dormir nada naquela cama tão incómoda… senti qualquer coisa no colchão que me incomodou toda a noite e deixou o meu corpo todo dorido!

O rei levantou-se e, muito ofendido, exclamou: “Impossível! Nunca nenhum convidado se queixou dos nossos excelentes colchões de penas!

Mas a rainha interrompe-o e disse com um sorriso: “Pode sim!” E explicou ao rei o que tinha feito para ver se realmente se tratava de uma princesa ou alguém a querer enganá-los.

A rainha levantou-se e disse a todos:” Só uma verdadeira princesa com uma pele tão sensível e delicada é capaz de sentir o incômodo de uma ervilha através de vinte colchões e edredões!”.

princesa e príncipeO rei e a rainha apresentaram a princesa ao seu filho o príncipe e ele, mal a viu, ficou logo perdido de amores.


Ao fim de alguns dias, o príncipe casou com a princesa, com a certeza de ter encontrado finalmente uma princesa verdadeira que há tanto tempo procurava.

A partir daquele dia, a ervilha passou a fazer parte das joias da coroa, para que todos se lembrassem da história da princesa ervilha.

Hans Christian Andersen

Uiiiiii, que mãos tão sujas!



Criado por tdomf_86bf3

 lave_as_maos
 

Eu conheço duas mãos, a Manela e a Marta; elas são duas irmãs que andam sempre juntinhas e que se ajudam muito uma à outra! Não passam uma sem a outra! Quando é preciso martelar um prego, a Manela segura no martelo e a Marta, no prego; quando é preciso lavar a cabeça, as duas esfregam muito bem o cabelo para este ficar cheiroso; quando é preciso passar manteiga no pão, a Manela segura no pão e a Marta passa a manteiga… São realmente as melhores amigas!!!
Mas estas irmãs não gostam de estar paradas e estão sempre a inventar coisas para fazer.
Certo dia fui apanhá-las a mexer num pedaço de barro e a criar uma peça fantástica. É claro que estavam todas sujas…
_Ah, brincar com o barro é tão bom….segura neste bocado, Marta, para eu fazer esta asa da chávena. – dizia a Manela.
_ Já estou a segurar, Manela! Tens muito jeito para as artes, sabias?
_ Oh, então e tu? Não estás a fazer a chávena de barro também? Tens tanto jeito como eu, ora! – exclamou a Manela.
Estavam as duas muito divertidas porque adoravam sujar-se e sentir a argila.
Quando o dia terminou estavam as duas tão cansadas que nem se lavaram, debaixo da torneira, como costumavam fazer. Foram para a cama sem se lavarem.
Pois é, quando as mãos não são lavadas aparecem sempre o Tico e a Teca, que são dois germes muito mauzinhos, porque só gostam de fazer malandrices!
Nessa noite, o Tico e a Teca foram morar nas nossas duas irmãs Manela e Marta. E claro, fizeram das suas! Das mãos foram para a boca e da boca, foram para o estômago. Coitado do estômago sentiu-se tão mal que começou a doer muito.
_ Ai, ai que dor – queixava-se o estômago – esta dor é muito forte!
_ Então? – perguntaram as mãos – O que te aconteceu?
_ Não sei bem, mas hoje comecei a sentir-me mal e doente… doí-me tudo!
_ Deves ter comido alguma coisa estragada. Já falaste com a boca para saber o que é que ela comeu? – perguntaram Manela e Marta, preocupadas.
_ Já, mas ela não comeu nada estragado!
A boca que estava a ouvir, respondeu – O que comi estava tudo bom, o melhor é perguntar aos olhos se eles viram alguma coisa...
_ Nós, os olhos, vimos que as mãos estavam um pouco sujas… - disseram os olhos.
E a língua exclamou – Pois, eu também senti um sabor diferente quando as mãos vieram à boca!
_ Bem, então está tudo dito – disse o estômago – as mãos não se lavaram e eu tenho dentro de mim o Tico e a Teca, aqueles marotos dos germes que só sabem fazer estragos!
O que vale é que a mão Manela foi buscar um remédio, para dar à boca, para a boca dar ao estômago. E tudo ficou bem.

Em conclusão vos digo meninas e meninos, lavem sempre bem as mãos com água e sabão!
Fonte: http://www.historias-infantis.com/

A história do Eu, do Tu e do Ele


palavras sobre afetosEra uma vez o Eu, o Tu e o Ele que moravam na mesma rua, numa pequena cidade.
Cada um deles vivia numa linda casinha, muito confortável, com vista para o mar. Os três tinham uma boa vida pois nada lhes faltava: tinham boa comida, muitos brinquedos e uma caminha muito fofinha onde todas as noites se aconchegavam e sonhavam lindos sonhos.
Mesmo não tendo nada de mau nas suas vidas, o Eu, o Tu e o Ele sentiam que algo lhes faltava, mas não conseguiam descobrir o quê.
Numa linda manhã de sol, cada um deles saiu da sua casinha para dar um passeio, e coincidiu de se encontrarem, os três, à beira mar. Por um instante, ficaram a olhar uns para os outros espantados, pois nunca se tinham visto antes.
 Então os três, curiosos em saber quem era cada um deles, começaram a falar todos ao mesmo tempo, perguntando uns aos outros, quem eram, onde viviam e quais eram as suas brincadeiras favoritas.
Depois de muita conversa, gargalhadas e brincadeiras, o Eu, o Tu e o Ele descobriram finalmente aquilo que lhes faltava… Eles precisavam de amigos! Precisavam de outros com quem pudessem partilhar os seus afetos, as suas conversas e brincadeiras.
A partir daí, o Eu, o Tu e o Ele, passaram a ser Nós, um grupo de amigos muito unidos e feliz!
(Autoria: T. Santos)

sábado, 28 de fevereiro de 2015

Treinando a escrita de numerais

´

Vamos contar

JOÃO E O PÉ DE FEIJÃO

Histórias da Carochinha - Fonte: Ed. Ática

Há muitos e muitos anos existiu uma viú­va que tinha um filho chamado João.
João e a mãe eram muito pobres e, para se manterem, contavam apenas com uma vaca, cujo leite vendiam na cidade.
Um dia, porém, a vaca parou subitamen­te de dar leite, e a pobre mulher, tendo per­dido assim a fonte de seu sustento, ficou preocupada e sem saber o que fazer.
João, de sua parte, começou a procurar um emprego, com o qual pudesse ajudar a mãe. Mas os dias foram passando sem que ele arranjasse coisa alguma para fazer. As­sim, a única solução que encontraram foi vender a vaca, pois o dinheiro daria pelo me­nos para viverem por algum tempo.
João logo se ofereceu para ir vender o animal na cidade, mas a mãe, achando que ele não saberia negociar, a princípio não con­sentiu. Entretanto, porque ela própria pode­ria sair de casa naquele dia, não teve outro remédio senão concordar com a idéia. Amar­rou então uma corda no pescoço da vaca, para que João não a perdesse e, depois de dar muitos conselhos ao filho, deixou-o partir.
E lá se foi João, com destino à cidade.
Quando estava no meio do caminho, en­controu um vendedor ambulante que o cum­primentou muito simpático e perguntou-lhe aonde estava indo com a vaca.
Assim que João contou que estava indo vendê-la na cidade, o homem tirou do bolso um punhado de feijões, muito bonitos e de co­res e formatos variados, e mostrou-os ao me­nino, dizendo que eles eram encantados.
João ficou deslumbrado com a beleza dos grãos e, ao ouvir as palavras do vendedor, seus olhos brilharam de alegria. Morrendo de vontade de possuir os feijões encantados, perguntou ao homem se ele não gostaria de trocá-los pela vaca.
O vendedor concordou prontamente com a troca. E, horas depois, João chegava em casa muito satisfeito, achando que havia feito um excelente negócio.
A mãe o recebeu muito contente, mas, quando o menino lhe mostrou o que havia conseguido em troca do animal, ficou furiosa e disse:
— Como, meu filho?! Você teve coragem
de trocar a única coisa que possuíamos por
uma porcaria duns grãos de feijão?
E, quanto mais pensava na situação difí­cil em que ela e o filho estavam agora, mais nervosa ficava. Até que, num acesso de rai­va, jogou os feijões pela janela, gritando:
— Veja, seu tolo! Veja para o que ser­
vem seus grãos encantados: para jogar fora!
O pobre menino, desconsolado, ficou olhando para a mãe sem nada  conseguir dizer. E, como castigo, naquela noite foi man­dado para a cama sem jantar.
Na manhã seguinte, ao acordar, João ainda estava muito triste e não conseguia es­quecer o acontecimento do dia anterior. Es­tava deitado, tentando encontrar um jeito de remediar o que havia feito, quando notou que havia alguma coisa impedindo o sol de entrar pela janela. Levantou-se para espiar o que era e, espantado, descobriu que os grãos de feijão não só haviam brotado durante a noite, como também haviam crescido assustadora­mente, transformando-se numa planta enor­me, que subia até o céu.
Admirado e feliz, o menino correu até o quintal e, sem pensar duas vezes, começou a subir pelo pé de feijão. Subiu, subiu e subiu; atravessou muitas camadas de nuvens ma­cias como flocos de algodão e, por fim, des­cobriu que a planta terminava num estranho país, onde tudo parecia deserto.
Como queria saber onde estava, João resolveu andar para ver se encontrava alguém por ali. Mas o lugar parecia completa­mente desabitado, pois, mesmo andando ho­ras em seguida, não viu ninguém pelo cami­nho. Porém, quando já estava escurecendo e o seu estômago até doía de fome, João avis­tou um enorme castelo para onde se dirigiu. Encontrou na porta uma mulher que pareceu muito assustada em vê-lo ali.
— O que você está fazendo aqui, menino? — disse ela. — Não sabe que esse castelo per­tence ao meu marido, um gigante muito mau, devorador de carne humana?
Ao ouvir isso, João sentiu as pernas bambearem de medo. Mas, como a mulher lhe dissesse que o gigante estava fora, caçando, e também como a fome e o cansaço não o dei­xassem andar mais, pediu a ela que o abri­gasse e escondesse até o dia seguinte.
Embora fosse casada com um homem tão mau, a esposa do gigante era uma pessoa muito bondosa. Assim, ficou com muita pena do menino e levou-o para dentro do castelo, onde serviu-lhe uma mesa coberta de coisas deliciosas. João, que estava morto de fome, comeu tudo com tanto apetite e gosto que logo se esqueceu do perigo que estava correndo. De repente, porém, ouviu-se um grande barulho na porta, seguido de passos tão pe­sados que o castelo inteiro estremeceu.
— Oh, meu Deus! — disse a mulher, tre­mendo como vara verde. — É o gigante, me­nino ! Ele não pode encontrar você aqui senão vai devorar você e a mim também!
Ao vê-la tão assustada, João ficou para­lisado de medo. Mas a mulher o puxou rapi­damente pela mão, e mal teve tempo de escon­dê-lo dentro do forno, antes que o gigante en­trasse na cozinha, gritando com sua voz de trovão:
— Mulher! Mulher, estou sentindo cheiro de carne humana!
Um, dois e três,
diga-me de uma vez:
onde está esse abelhudo?
Vou comê-lo com ossos e tudo!
Mais que depressa, a mulher explicou que o cheiro de carne era dos franguinhos que ela havia matado para o jantar.
João, que estava espiando por uma frestinha do forno, ficou apavorado só de pensar no que aconteceria se o gigante o encontrasse. Mas a bondosa mulher, que sabia que o ma­rido era muito comilão, apressou-se em ser­vir a comida, antes que ele começasse a pro­curar por todos os cantos da casa até encon­trar o pobre menino.
O gigante sentou-se então à mesa e, para começar a refeição, engoliu uma dúzia de frangos assados, com ossos e tudo. Com os olhos arregalados, João assistiu à mulher tra­zendo para a mesa pratos e mais pratos, que o gigante engolia rapidamente, sem nunca ficar satisfeito.
Quando acabou finalmente sua refeição, o comilão gritou para a mulher:
—   Traga-me o dinheiro!
—   Está bem! — respondeu ela, saindo da cozinha.
E, logo em seguida, voltava com dois sa­cos cheios de moedas de ouro. Depois de ordenar que a mulher fosse dormir, o gigante colocou os sacos de moedas sobre a mesa e começou a contá-las, enquanto esperava o sono chegar.
Quando se cansou desse divertimento, guardou as moedas de novo nos sacos e de­pois colocou-os no chão, perto de si. Só que, por precaução, amarrou ao pé da mesa um cão de guarda, e depois recostou-se na ca­deira e pôs-se a dormir.
João, que a tudo assistia de seu escon­derijo, esperou que o gigante estivesse dor­mindo profundamente e, quando viu que ele estava roncando como um trovão, saiu de mansinho do forno para roubar o dinheiro. Entretanto, assim que pôs as mãos sobre os sacos de moedas, o cão de guarda começou a latir feito louco e o pobre menino, apavo­rado, julgou-se completamente perdido.
Acontece que o gigante tinha um sono pe­sado demais e os latidos fizeram apenas com que ele se mexesse na cadeira, sem conse­guir acordá-lo.
Mais sossegado, o menino subiu na mesa da cozinha e, depois de pegar um pedação de carne, jogou-o ao cão, que abanou o rabo e ficou em silêncio, deliciando-se com o petisco.
João pôde assim pegar o dinheiro e fugir dali. Correu sem parar até alcançar o pé de feijão, descendo habilmente até chegar ao quintal de casa.
Em seguida, chamou pela mãe e, depois de contar-lhe toda a aventura, entregou-lhe os dois sacos de moedas.
Corri o dinheiro roubado do gigante, João e a mãe passaram a levar uma vida de rei. Nada mais faltava na casa e eles não pre­cisavam mais temer a fome e a necessidade.
Mas o tempo foi passando e os sacos de moedas começaram a ficar vazios. E João pensou, então, em voltar ao castelo do gi­gante, para se apoderar de mais riquezas.
Contou sua vontade à mãe e ela, com medo de que alguma coisa pudesse acontecer-lhe, proibiu-o de ir.
— Já pensou se o gigante agarrar você? — disse ela. — E a mulher dele?   Ela certamente o reconhecerá e poderá entregá-lo ao marido!
Percebendo que a mãe não ia mesmo per­mitir, João fingiu aceitar o que ela dizia. Mas, na primeira chance que teve, saiu es­condido e subiu novamente pelo pé de feijão, desta vez muito bem disfarçado para que a mulher do gigante não o reconhecesse.
Chegou assim mais uma vez ao estranho país e, depois de caminhar até o anoitecer, avistou o castelo do gigante, na porta do qual encontrou novamente a boa mulher.
— Menino! — disse ela, sem reconhecer João. — O que você faz aqui? Não sabe que esse castelo é do meu marido, um gigante muito mau, devorador de carne humana?
João fingiu-se muito assustado, e pediu à mulher que o escondesse até o dia seguinte, dizendo que não conseguiria encontrar o ca­minho de casa no escuro.
— Ah, não! — respondeu ela. — De jeito nenhum! Da última vez que fiz isso me ar­rependi amargamente!   Já dei abrigo a um menino como você e o mal-agradecido fugiu, levando dois sacos de moedas de ouro do meu marido. Por causa disso, quase fui devorada no lugar do malandrinho! E o gigante, desde então, tem estado com um humor terrível, que eu sou obrigada a suportar!
Mas João sabia ser convincente e pediu tantas vezes que a boa mulher acabou con­cordando em escondê-lo. Assim, levou-o para dentro do castelo e deu-lhe de comer e de beber. E, novamente, mal teve tempo de es­conder João, desta vez dentro de um quarti­nho de despejo, e o gigante já chegava, com seu andar tão pesado que fazia o castelo es­tremecer. Dali a pouco, ele já estava na co­zinha, gritando com voz de trovão:
— Um, dois e três.
Cheiro de gente outra vez! Onde está esse abelhudo? Vou comê-lo com ossos e tudo!
Enquanto dizia isso, o gigante procurava por todos os cantos da casa.
João, que a tudo assistia pela fechadura da porta, ficou morrendo de medo de ser en­contrado. Mas a bondosa mulher mais uma vez convenceu o marido de que não havia ninguém na casa e, enchendo a mesa de co­mida, conseguiu distraí-lo.
Novamente o gigante comeu até se far­tar e depois disse à mulher:
— Mulher, traga-me a galinha!
Ela, como da outra vez, obedeceu às or­dens e saiu da cozinha, para voltar logo de­pois, trazendo uma galinha viva. O gigante colocou a galinha sobre a mesa e, assim que a mulher se retirou, ordenou:
— Bote!
E João viu, espantado, a galinha botar um ovo que não era nem branco e nem igual aos das galinhas comuns, e sim de ouro, ouro puro e maciço!
— Bote outro! — ordenou o gigante.
E a galinha obedeceu. Assim aconteceu sucessivamente, até que a mesa da cozinha ficou repleta de ovos de ouro, bonitos e re­luzentes.
De repente, o gigante se cansou de man­dar a galinha botar os ovos e, debruçando-se sobre a mesa, caiu, logo em seguida, num sono profundo.
Quando ouviu o gigante roncando outra vez como um trovão, João saiu em silêncio de seu esconderijo. E, como desta vez não havia nem o cão de guarda para atrapalhar, foi muito fácil agarrar a galinha e fugir cor­rendo do castelo, até chegar ao pé de feijão.
Logo que entrou em casa, João chamou a mãe e, depois de lhe contar a sua aventura, entregou-lhe a galinha dos ovos de ouro.
Daquele dia em diante, nada mais lhes faltou, pois, sempre que precisavam de algu­ma coisa, bastava ordenar à galinha que bo­tasse um ovo, e ela obedecia prontamente.
Mesmo sendo agora rico e feliz, João voltou a ter vontade de subir outra vez ao castelo do gigante. Mas, sempre que falava nisso, a mãe o repreendia tão severamente, que o menino acabava adiando a viagem, sem entretanto desistir da ideia.


Passaram-se assim três anos, no final dos quais João tomou uma decisão: ia subir de novo, custasse o que custasse, e não con­taria nada à mãe.
Assim, esperou pacientemente que che­gasse o verão, quando os dias são mais lon­gos e, depois de se disfarçar muito bem, subiu pelo pé de feijão antes que o sol nascesse, para que a mãe não o visse.
Novamente chegou ao castelo numa hora em que o gigante não estava, e mais uma vez não foi reconhecido pela mulher, que voltou a falar-lhe dos perigos que corria estando ali. Só que, desta vez, foi muito mais difícil con­vencê-la a recolher um estranho em seu cas­telo, pois o gigante, depois do último roubo, estava com um humor insuportável e cada dia se tornava mais malvado.
João, porém, sabia que a mulher era muito bondosa e continuou insistindo até que conseguiu convencê-la. Foi então acolhido, e de novo lhe foi servida uma refeição deli­ciosa.


Mas nesse dia o gigante chegou tão re­pentinamente que a mulher só teve tempo de colocar João dentro de um caldeirão, antes que o marido entrasse na cozinha gritando:
— Mulher! Sinto cheiro de carne huma­na!
Um, dois e três,
diga-me de uma vez:
onde está o abelhudo?
Vou comê-lo com ossos e tudo!
E estava tão furioso e desconfiado, que começou a procurar por todos os cantos, sem nem ouvir a esposa chamando-o para o jantar.
Procurou, procurou e procurou até que, finalmente, chegou bem perto do caldeirão onde João estava escondido. Ao ouvir aqueles passos que faziam o chão tremer e aquela voz de trovão gritando furiosamente, o pobre menino achou que estava mesmo perdido. Por sorte, entretanto, o gigante sentiu uma fome repentina e ficou com preguiça de levantar a tampa do caldeirão. Por isso, desistiu de procurar e gritou:


— Mulher!  Quero jantar!
Dentro de seu esconderijo, João suspirou aliviado. E ali ficou bem quietinho, esperan­do que o comilão fizesse sua interminável refeição.
Quando, afinal, estava satisfeito, o gi­gante gritou para a mulher:
— Traga-me a harpa de ouro!
E ela, como sempre fazia, obedeceu-lhe prontamente. O gigante esperou que ela se retirasse para dormir, depois colocou o ins­trumento sobre a mesa e ordenou:
— Toque!
No mesmo instante, a harpa de ouro co­meçou a tocar sozinha uma melodia doce e suave, que deixou João maravilhado e que embalou os sonhos do malvado gigante. As­sim, o menino esperou até que ele estivesse roncando bem alto, saiu em silêncio do cal­deirão e correu na direção do valioso instru­mento.
Acontece que a harpa era encantada e, ao sentir que mãos estranhas a tocavam, co­meçou a gritar com uma voz fininha:
—         Socorro! Socooorro!
E o gigante, ou porque não estivesse dor­mindo ainda, ou porque gostasse muito da harpa, acabou acordando. Ao ver que estava sendo roubado, levantou-se da cadeira, gri­tando, furioso:
— Ah, seu maldito! Desta vez você me paga! Quando eu o pegar, vou engoli-lo vivo, com ossos e tudo!
Disse isso e veio direto em cima do po­bre João, que, muito assustado, começou a correr até não poder mais. A harpa de ouro, por sua vez, continuava gritando, com sua vozinha fina:
— Socorro, meu senhor! Estão me rou­bando !
E João, ao ouvi-la falar, corria mais ainda, achando que o gigante o estava alcan­çando.
De repente, no entanto, João percebeu que havia já alguns minutos não ouvia mais os urros e o barulho dos passos de seu perse­guidor. Intrigado, virou-se para trás e desco­briu uma coisa que o deixou muito feliz: o gigante, embora fosse grande e forte, já esta­va velho e não conseguia correr muito.
Mesmo assim, ainda havia um longo cami­nho para chegar ao pé de feijão, e por isso o menino agarrou de novo a harpa, que não pa­rava de gritar por socorro, e continuou a correr.
Horas depois, alcançou de novo seu pé de feijão e começou a descer. Quando estava já no meio da haste da imensa planta, porém, João olhou para cima e viu que o gigante, por ser muito pesado, descia numa rapidez incrível. Assim, logo que avistou o quintal de casa, o menino começou a gritar pela mãe:
— Mamãe, mamãe! Traga-me um ma­chado, depressa!
Quando João pôs os pés no chão, a mãe já se preparava para dar os primeiros golpes na planta. Mas a viúva, ao olhar para cima e ver o tamanho do gigante, ficou paralisada de medo.
João estava muito cansado, mas conse­guiu reunir todas as suas forças e, apossando-se do machado, golpeou várias vezes o pé de feijão. Tendo sido cortada a planta, o gi­gante despencou lá do alto, caindo ao chão com um grande estrondo. Era tão pesado que | seu corpo, ao cair, fez uma cratera enorme, que demorou muitos anos para fechar.
Livre do perigo que o ameaçava, João abraçou a mãe alegremente. E, desde aquele dia, os dois passaram a viver tranquilos.
Tempos depois, quando se tornou um ho­mem forte e bonito, João se casou com uma princesa, com quem viveu feliz por muitos e muitos anos.
Quanto ao pé de feijão, depois de cor­tado, secou completamente e, como não havia mais sementes, nunca mais nasceu outro igual.

Joseph Jacobs

O girassol solitário



Num jardim muito bonito, não muito longe daqui...
Um novo dia nasceu.
O sol começou a brilhar, cheio de alegria, dando luz e calor para todo o mundo...
De repente, num cantinho do jardim, o sol descobriu uma nova florzinha, que tinha nascido de madrugada.
A florzinha girava, girava, girava...
Acompanhava todos os movimentos do sol.
Por isso, ele logo descobriu que era um girassol.
- Bom dia sol! - disse a flor, sorrindo. Desde que eu era uma semente, lá no fundo da terra, estava morrendo de vontade de te encontrar! Sou Giraflor, um girassol que acaba de nascer!
- Bom dia, flor! Você é muito bonita! Está gostando daqui?

- Estou, sim! É tudo muito bonito! Mas... Eu estou me sentindo um pouco sozinha... Será que você me faz um favor?
E o sol, prontamente, respondeu:
- Pois não, se eu puder... O que você deseja?
- Bem, como eu estou muito sozinha... Ainda não conheço ninguém... Será que você não podia arranjar uns amigos para mim?
- Ah, flor, isso eu não posso fazer por você, ninguém pode.
- Por que, sol?
- Amigos ninguém arruma para ninguém. Amigos a gente conquista.
- Como assim, sol?
- Um amigo, flor, é o maior tesouro que se pode ter. Se a pessoa for a mais rica do mundo e não tiver amigos, será uma podre mendiga...
Mas... amigos a gente tem que merecer... E conquistar!
A florzinha era toda interrogação:
- E que eu posso fazer para conquistar amigos?
- Também não existe uma regra certa. Com o tempo você vai descobrir. Disse o sol.
Bem agora vou indo...

- Ah, sol, não me deixe sozinha aqui!
- Que é isso, flor? Eu não posso ficar aqui só com você. Não queira prender seus amigos, porque é o primeiro passo para perder os que amamos... Eu vou, mas volto e, enquanto você me espera, vai conhecer novos amigos. Tchau!
Meio desapontada, a florzinha respondeu:
- Está bem... Eu estou confusa, mas... Tchau!
Algum tempo depois, chegou, Vagarosa, a lagartinha, e as duas começaram logo a conversar:
- Bom dia, quem é você?
- Sou Vagarosa, uma lagarta muito charmosa. E você?
- Sou Giraflor, um girassol. Você quer ser minha amiga? Estou tão sozinha!...
- É claro que sim! Sou amiga de todas as plantas!
Vagarosa era um pouco gulosa e, assim, foi logo perguntando:
- E já que somos amigas, será que eu podia pegar um pedacinho da sua folhinha? Eu estou com uma fome! E elas parecem ser uma delícia!
Giraflor ficou uma fers:

- O quê!!! Comer a minha folha?!!! Sua gulosa!! É assim que você quer ser minha amida? Para tirar um pedaço de mim? Vá-se embora daqui, sua feiosa! Não deixo e não deixo!
Coitada da Vagarosa! Que susto!
Vagarosa foi saindo devagar, toda desapontada, e disse:
- Puxa, Giraflor! Eu não ia comer tudo, só um pedacinho! Eu estou com muita fome... Você tem tantas folhas, não ia nem fazer falta... E como você quer ter amigos se não quer dar nem um pouquinho de você para seus amigos? Tchau!
Giraflor nem ligou, estava muito brava.
Daí a pouco, chegou Abelim, a abelhinha, e Giraflor esqueceu a raiva.
- Sou Abelim e sei que você é um girassol, conheço todas as flores! Quer ser minha amiga?
- Claro que eu quero, estou muito sozinha aqui... Sou Giraflor.
- Ótimo! E... Já que somos amigas, que tal, que tal deixar eu pegar um pouquinho de seu néctar para fazer mel? Todas as flores me dão o néctar e eu as ajudo, espalhando o pólen pelos campos e enchendo a vida de flores...
Já sabem a resposta de Giraflor, né? Ficou de novo aquela onça:
- Você também? Mas o que é isto? Você também quer me roubar? Vagarosa queria minhas folhas, você quer o meu néctar! Assim, como é que eu fico?
Abelim era mais brava que Vagarosa e respondeu:
- Olha aqui, sua florzinha metida a besta! Eu só ia tirar um pouquinho do seu néctar e, depois, você ia fabricar mais. Além disso, eu também ia ajudar você, levando o pólen até outro jardim para que outros 
girassóis nascessem. Mas pode deixar. Existem muitas flores que ficam felizes em ajudar. Pode ficar com tudo... Sozinha! Tchau!
Foi a vez da Giraflor ficar desapontada e triste.
E foi nessa tristeza que o sol a encontrou quando voltou:
- Mas o que é isto, minha amiga? O que foi que aconteceu?
- Ah, sol! Esses amigos! Cada um quer um pouco de mim! E eu? Como vou ficar? Sem Nada! Eles não são amigos, são um bando de fominhas!
O sol sorriu e respondeu:
- Ah! Quer dizer que a minha florzinha já está aprendendo a sua parte na vida?
- Eu não, estou é muito triste com esses falsos amigos...
- Sabe, flor, ser amigo é assim: é dar da gente mesmo para todos... Mas não se preocupe! O que a gente dá é o que a gente tem... Tudo o que a gente dá volta para gente em alegria e carinho. E, também, ninguém quer tudo de você... Apenas uma parte...
- Mas ser amigo é muito difícil!

- Mais difícil que viver sem amigos, flor?
- Bem... Não... Sim... Não sei... Ficar sozinha também é muito ruim...
O sol aproveitou a sua dúvida e continuou:
- Um sorriso de um amigo aquece o nosso coração, como o sol da manhã... As flores que damos a um amigo perfumam primeiro o nosso coração... O amor que damos a um amigo é música primeiro em nossa alma... A pessoa que não quer dar nada de si pode ter muitas coisas, mas é sozinha e vive num deserto chamado solidão. Esta é a pior pobreza que existe...
É, então, flor, que descobrimos que um amigo é o melhor presente que podemos ter!
Giraflor pensou bastante em tudo que o sol tinha dito e resolveu chamar os amigos de volta, gritou o mais alto que pode:
- Amigos, voltem!
Os amigos resolveram dar uma nova chance à florzinha.
Depois disso, tiveram outras brigas, por outros motivos...
Mas... um amigo é o maior presente que se pode ter!

Sandra Diniz Costa